quinta-feira, 24 de abril de 2008

Eu na sua vida ja fui uma flor, hoje sou espinho em seu amor

Chega até a ser engraçado o modo como as coisas mudam no passar de 1 ano, no geral sempre pensamos: "Ah ano que vem vai ser tudo igual." mas nao é bem assim.
As pessoas mudam, e com elas os seus sentimentos. O problema é quando só os sentimentos delas mudam e os nossos permanecem os mesmos.
As vezes, por sermos tao iludidos, e por sempre inventarmos desculpas para não assumirmos certas coisas, nem nos damos conta de que esses sentimentos já nao existem mais, é ai que mora o perigo. Nós continuamos preservando aquela esperança e cultivando o sentimento, podem passar 2, 3 anos, a gente se lembra de cada detalhe, de cada situação, cada frase como se tivesse sido ontem. Até que chegam horas em que o tempo prova que você guarda memórias sozinha. Aquelas memórias compartilhadas, hoje são só suas. E ai que você pensa, como pode aquela pessoa ter esquecido tão rápido coisas que você não esquece nem por um segundo? Você percebe o quanto esta vivendo de passado, percebe que coisas que são importantes pra você, já não significam nada pra outros. Ao perceber isso, tem-se a sensação de vazio, de "preto e branco". Isto se chama decepção. Decepção com você mesmo, por não ter seguido em frente, por não ter esquecido também, e principalmente por no fundo não querer esquecer.
É um sentimento de perda, de separação. resumindo é um sentimento estranho, indescritível.
Sobre isso eu só posso dizer a vocês para aproveitarem bem tudo no presente.
E pra finalizar vou passar adiante um conselho que recebi a algumas horas: " Dê uma chance pra quem gosta de você, dê uma chance a você de gostar de quem gosta de você".

Medida da Paixão (Lenine)
"É como se a gente não soubesse
Pra que lado foi a vida
Por que tanta solidão
E não é a dor que me entristece
É não ter uma saida
Nem medida na paixão

Foi, o amor se foi perdido
Foi tão distraido
Que nem me avisou
Foi, o amor se foi calado
Tão desesperado
Que me machucou

É como se a gente presentisse
Tudo que o amor não disse
Diz agora essa afflição
E ficou o cheiro pelo ar
Ficou o medo de ficar
Vazio demais meu coração

Foi, o amor se foi perdido
Foi tão distraido
Que nem me avisou
Foi, o amor se foi calado
Tão desesperado
Que me maltratou"

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Tão diferentes são os seres humanos.

Revolta, essa é a palavra que eu sinto.
Eu fico refletindo sobre como nós, seres humanos, nos apegamos as coisas.
Tem gente que se apega a coisas materiais, tem gente que se apega a animais, e tem gente que se apega a gente.
Eu assumo que me apego rapido demais. Em uma semana, eu já estou extremamente apegada ao meu cachorrinho, e logo que ele adoeceu eu entrei em desespero com medo de que acontecesse o pior, graças a deus não aconteceu.
Mas ontem eu passei por uma experiencia, a qual eu ja havia passado à 4 anos atras, porém eu me encontrava em posição diferente. Fui a uma missa de sétimo dia do avô de um amigo, quando cheguei a igreja, me sentei ao fundo, junto com outros amigos, e comecei a observar.
Era notório o quanto aquelas pessoas queriam ele de volta, queriam poder mudar o destino. Eles queriam tanto, que me fizeram querer também e quando dei por mim, eu ja estava chorando e com um sentimento como se eu o tivesse conhecido, eu também o queria de volta. Foi entao que, ouvindo seus filhos e netos falarem o quanto ele era importante e o quanto vai fazer falta, eu me questionei, como pode os seres humanos serem tao diferentes?
Comecei a sentir uma revolta, uma coisa que eu nem sei explicar direito.
Eu so pensava: "o que leva um pai a matar a filha, ou o que leva uma filha a matar um pai?"
É um oposto sem tamanho, aquelas pessoas na missa, fariam de tudo para ter seu pai/avô de volta, e uma pessoa sem coração, que nem merecia ter uma familia, a tem e a destroi por vontade própria. É revoltante pra mim saber de casos assim, como o da menina Isabella, que foi morta, ou o da Suzane Richthofen, que matou os pais.Como pode uma filha ter coragem de matar as pessoas que cuidaram dela a vida inteira, como pode ela não ser apegada aos pais? Como pode alguem ser tão frio a ponto de jogar uma criança indefesa do 6° andar de um prédio?Isso pra mim não é normal, não pode ser normal. Elas não possuem coração, são tão frias a ponto de não se apegarem a nada nem a ninguem, nem aos próprios pais. Pessoas assim, não merecem ter a família que tinham, pessoas assim tinham tudo pra serem felizes, mas escolheram nao ser. Enquanto famílias como a do meu amigo, eram felizes e completa, hoje terão que aprender a ser felizes porém incompletas, terão que aprender que a saudade doi, mas que o amor supera. Já pessoas como Suzanne e os assassinos de Isabella, terão que aprender que tudo tem consequencias, e que todo crime deve ser punido. Mesmo num mundo injusto que leva embora os bons e deixa os maus.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Os Sobreviventes.

"Com absoluta sinceridade , tento ser otimista a respeito de todo esse assunto, embora a maioria das pessoas sinta-se impedida de acreditar em mim, sejam quais forem meus protestos. Por favor confie em mim. Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável. Agrádavel. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpática. simpatia não tem haver comigo.
Isso preocupa você?
insisto-Não tenha medo.
Sou tudo menos injusta.
- É claro, uma apresentaçao. Um começo.
Onde estão meus bons modos?
Eu poderia me apresentar apropriadamente, mas na verdade, isso não é necessário. Você me conhecerá o suficiente e bem depressa, dependend de uma gama diversificada de variáveis. Basta dizer que, em algum ponto do tempo eu me erguerei sobre você, com toda a cordialidade possivel. Sua alma estará em meus braços. Haverá uma cor pousada em meu ombro. E levarei você embora gentilmente. (...) Já que aludi a ele, o único dom que me salva é a distração. Ela preserva minha sanidade. Ajuda-me a aguentar, considerando-se há quanto tempo venho executando este trabalho. O problema é: quem poderia me substituir? Quem tomaria meu lugar, enquanto eu tiro uma folga em seus destinos-padrão de férias, no estilo Resort, seja ele tropical, seja da variedade estação de inverno? (...) Mesmo assim é possivel que você me pergunte: Por que é mesmo que ela precisa de férias? Isto é o que me traz à minha colocação seguinte.
São os Humanos que sobram.
Os sobreviventes.
É para eles que não suporto olhar, embora ainda falhe em muitas ocasiões. Procuro deliberadamente as cores para tirá-los da cabeça, mas, vez por outra, sou testemunha dos que fficam para trás, desintegrando-se no quebra-cabeça do reconhecimento, do desespero, da surpresa. Eles tem corações vazados. Têm Pulmões esgotados."

"(...) No Começo, ela não olhou para a mulher, mas se concentrou no saco de roupa que tinha nas mãos. Examinou o cordão que o fechava ao entregá-lo. O dinheiro lhe foi entregue e, em seguida, nada. A mulher, que nunca falava, apenas ficou parada, com seu roupão de banho, o cabelo macio e fofo preso num rabo-de-cavalo curto. Uma corrente de ar fez sentir. Algo assim como a respiração imaginária de um cadáver. Mesmo então não houve palavras e , quando Liesel encontrou coragem para encará-la, a mulher não exibia uma expressão de censura, mas de profunda distância. Por um instante, olhou para o menino, por cima do ombro de Liesel, depois fez um aceno com a cabeça e deu um passo atrás, fechando a porta."

A descriçao nos transporta para um outro mundo, as palavras são suficientes para que esqueçamos do nosso e entremos no mundo dos livros, mundo da ficçao.
São transcrições tristes essas que aqui coloquei, porém em sentido geral são bonitas,
me levam a perceber que não vale a pena ser somente uma sobrevivente, ter coraçao vazado e pulmões esgotados, eu quero mais que isso, quero mais do que ter apenas uma expressao de profunda distância, apesar de estar passando por um época assim, eu quero mais do que ser algo como uma respiração imaginária de um cadáver. Bem no fundo talvés eu só queira viver, ser vivo e nao ser sobrevivente.

*Transcrições feitas do livro " A menina que roubava livros".