sexta-feira, 4 de abril de 2008

Os Sobreviventes.

"Com absoluta sinceridade , tento ser otimista a respeito de todo esse assunto, embora a maioria das pessoas sinta-se impedida de acreditar em mim, sejam quais forem meus protestos. Por favor confie em mim. Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável. Agrádavel. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpática. simpatia não tem haver comigo.
Isso preocupa você?
insisto-Não tenha medo.
Sou tudo menos injusta.
- É claro, uma apresentaçao. Um começo.
Onde estão meus bons modos?
Eu poderia me apresentar apropriadamente, mas na verdade, isso não é necessário. Você me conhecerá o suficiente e bem depressa, dependend de uma gama diversificada de variáveis. Basta dizer que, em algum ponto do tempo eu me erguerei sobre você, com toda a cordialidade possivel. Sua alma estará em meus braços. Haverá uma cor pousada em meu ombro. E levarei você embora gentilmente. (...) Já que aludi a ele, o único dom que me salva é a distração. Ela preserva minha sanidade. Ajuda-me a aguentar, considerando-se há quanto tempo venho executando este trabalho. O problema é: quem poderia me substituir? Quem tomaria meu lugar, enquanto eu tiro uma folga em seus destinos-padrão de férias, no estilo Resort, seja ele tropical, seja da variedade estação de inverno? (...) Mesmo assim é possivel que você me pergunte: Por que é mesmo que ela precisa de férias? Isto é o que me traz à minha colocação seguinte.
São os Humanos que sobram.
Os sobreviventes.
É para eles que não suporto olhar, embora ainda falhe em muitas ocasiões. Procuro deliberadamente as cores para tirá-los da cabeça, mas, vez por outra, sou testemunha dos que fficam para trás, desintegrando-se no quebra-cabeça do reconhecimento, do desespero, da surpresa. Eles tem corações vazados. Têm Pulmões esgotados."

"(...) No Começo, ela não olhou para a mulher, mas se concentrou no saco de roupa que tinha nas mãos. Examinou o cordão que o fechava ao entregá-lo. O dinheiro lhe foi entregue e, em seguida, nada. A mulher, que nunca falava, apenas ficou parada, com seu roupão de banho, o cabelo macio e fofo preso num rabo-de-cavalo curto. Uma corrente de ar fez sentir. Algo assim como a respiração imaginária de um cadáver. Mesmo então não houve palavras e , quando Liesel encontrou coragem para encará-la, a mulher não exibia uma expressão de censura, mas de profunda distância. Por um instante, olhou para o menino, por cima do ombro de Liesel, depois fez um aceno com a cabeça e deu um passo atrás, fechando a porta."

A descriçao nos transporta para um outro mundo, as palavras são suficientes para que esqueçamos do nosso e entremos no mundo dos livros, mundo da ficçao.
São transcrições tristes essas que aqui coloquei, porém em sentido geral são bonitas,
me levam a perceber que não vale a pena ser somente uma sobrevivente, ter coraçao vazado e pulmões esgotados, eu quero mais que isso, quero mais do que ter apenas uma expressao de profunda distância, apesar de estar passando por um época assim, eu quero mais do que ser algo como uma respiração imaginária de um cadáver. Bem no fundo talvés eu só queira viver, ser vivo e nao ser sobrevivente.

*Transcrições feitas do livro " A menina que roubava livros".

4 comentários:

Luana Ramos Rabelo disse...

Eu vou postar um post, sobre esses assuntos, alias eu fiz um, mas ironico, sobre como seria o homem perfeito. mas um sincero, precisa de alcool, de um gravador das nossas conversas, e claro, os dois corações partidos....


em continuação:

Vai Saber?
Composição: Adriana Calcanhotto

Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de mudar
E pode aparecer onde ninguém ousaria supor

Só porque disse que de mim não pode gostar
Não quer dizer que não tenha do que duvidar
Pensando bem, pode mesmo
Chegar a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais
Vai saber?

Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de se dar
E pode aparecer onde ninguém ousaria se pôr

Só porque disse que de mim não pode gostar
Não quer dizer que não tenha o que considerar
Pensando bem, pode mesmo
Chegar a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais
Vai saber?
Vai saber?
Vai saber?

Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de jogar
E pode aparecer onde ninguém ousaria supor

Só porque disse que de mim não pode gostar
Não quer dizer que não venha a reconsiderar
Pensando bem, pode mesmo
Chegar a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais...

Bianca Teixeira disse...

que coisa mais linda esse texto.
e incrivel como as palavras parecem vir ate nos no momento certo
mais uma vez: AMEIII
beijoss xeuuu

ThiagoLima disse...

Medo do novo, insegurança, comodismo, medo de arriscar, explorar novos horizontes, novos ângulos de uma mesma vida, medo do incerto, do duvidoso, medo de não valer a pena, da frustração. Mas e se valesse a pena, e se em vez da frustração, a realizão?!
Terminando com as palavras de Veriss!mo: ´´embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.``

faz sentido isso que eu escrevi?! Talvez...

IGOR Normando disse...

É um bom livro.. =]